quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

à minha princesa


(existe uma princesa que nunca dorme, mesmo estando cansada demais, continua obstinada no trabalho de se sentir pior, de ser galinha sem pena, peixe sem escama, mãe sem filho.
essa princesa veste-se de azul para que o céu não a perceba, para que quando a veja, imagine olhar para um espelho no chão.
ela se magoa consigo, com a habilidade que tem de fazer tão bem o seu trabalho.)


usando as pernas de muleta para correr, bateu o pé na própria canela, foi se atropelando entre dentes nos braços-calcanhar e unhas nos buracos escuros do corpo, como o nariz. sentiu-se competente como pássaro de rapina quando conseguiu finalmente se estatelar no chão toda machucada e imovel. conseguira se castrar completamente mais uma vez. estava de parabéns!
ja sem cabelos, unhas, ou uma boca que tivesse voz, ela sorriu para o dente que rolou bem a frente dos seus olhos.
era, felizmente, uma mulher de sucesso!!

4 comentários:

Cleo C. disse...

Quando assisti Ladrões de Bicicletas senti como se tivesse tomado um soco no estômago. Quando li o Carteiro e o Poeta senti como se um soco me atingisse os dois rins ao mesmo tempo. Enquanto lia seu texto, senti vontade de socar na orelha uma freira numa segunda feira. Muito bom.

pim disse...

hahahaha isso é um elogio!

camila colombo. disse...

Pim!
O texto tem muita alma e movimento! É VIVO!

Beijos!

mano disse...

Vi um filme hoje que falava de reflexos. Dizia que às vezes precisamos de pessoas-espelho pra nos dizer quem somos (nos definir). Como se a cada olhada, estivéssemos mais próximos de nós mesmos.

beijo, pim. feliz natal.