terça-feira, 1 de outubro de 2013

Clara

Ela contava que tinha vindo pra cá fugida, com a roupa do avesso, a pinta do lado errado da cara e com o pé pintudo. Nunca entendí o que isso do pé significava, mas não a interrompi pra perguntar.
Para saber o que acontecia, se escancarava, se estuprava e via filmes só pra chorar.
Me disse que andava mundana. Clara me curava do escuro que tinha dentro de  mim, pondo-me rugas ao redor da boca e gargalhando alto (como era sua característica marcante).

Já não se faz futuramente como antigamente. Me disse " Você não é o amor importante que eu quero ter" e saiu correndo, deixando a porta aberta pro ar entrar e limpar a bagunça.

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