quinta-feira, 19 de novembro de 2009

sete anos.

hoje ela viveu a angustia de sete anos inteiros.
dizem que sete anos é o tempo que um ser-humano médio leva para renovar todas as suas células.
hoje ela viveu a angustia de sete anos inteiros.
nasceu chorando, muito pequena, magra também. papai a achou linda, mamãe se apaixonou.
acordou com sete anos, sabendo andar, falar palavrão, apaixonada pelo papai, querendo ser um menininho com o nome de Eric.
acordou com catorze anos, com peitos, espinhas, completamente temperamental, querendo ser qualquer pessoa, menos ela.
acordou com vinte e um anos, completamente suicida, ainda enrolada com o vestibular, morando fora de casa, pensando em nunca ter filhos.
acordou com vinte e oito anos, formada, angustiada, chorando pra uma azaléia por não ter controle algum de sua vida.
morreu ao seu sétimo aniversário de sete anos, muito mais velha do que realmente era, sendo ela mesma, sem espinhas, sem peitos, sem o menor controle de sua vida, mãe de um filho chamado Eric, com a mesma azaléia ao lado. morreu chorando.

6 comentários:

laura mie disse...

quem escreveu isso sara?

mano disse...

Engraçada essa coisa da azaléia. Entendo que seja dela essa natureza arbustiva de cercar o que se deve (e o que não se deve também). Mas das outras flores, ela é uma que floresce no inverno. Dá um aspecto vivo no meio dessa estação mal-compreendida. Meio atípica, essa azaléia.

pimlapiel disse...

lau, fui eu.

jonas disse...

triste e bonito...

Renata disse...

Nossa...

que forte!

uiu disse...

ca-ra-lho!


(desculpa, é que tem horas que não há palavra melhor pra descrever um sentimento poético que um palavrão)


fiquei surpreendido