A índia gestante olha a cidade
Não pertence àquilo, nem àqueles
Sem pagé, sem tribo, nada seu
(O coração que teima em bater
Já quer descansar onde pertence)
O tempo é coisa pra quem corre
Pra ela, o tempo ainda é vida
Submersa num esquecimento sutil
Ela in-venta um lugar onde pede:
- Tempo, me demora...!
domingo, 2 de dezembro de 2012
domingo, 25 de novembro de 2012
Amadurecer
Amar, duro é ser
Amar, duro é ser
Amar duro é ser
Amadurecer
... E cair do pé
Aos seus pés
Suculenta.
Amar, duro é ser
Amar duro é ser
Amadurecer
... E cair do pé
Aos seus pés
Suculenta.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
a criança
É preciso limpar os cacarecos da alma
E olhar pro amor.
Deixar ir o brinquedo que não se brinca mais
é a primeira sensação de perda e liberdade que uma criança vive.
Viver o amor é ser a criança que doa seus brinquedos.
E olhar pro amor.
Deixar ir o brinquedo que não se brinca mais
é a primeira sensação de perda e liberdade que uma criança vive.
Viver o amor é ser a criança que doa seus brinquedos.
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Coagular e dissolver
Jano era considerado o guia das almas que encontravam o equilíbrio nos equívocos.
Seus dois rosto, um olhando pra terra e outro pro céu, não olhavam a diante.
Ele dava a mão ao seu molho de chaves, e abria as portas que entravam em seu caminho.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Cor de tempero
• Ela tem braços de linhas, pernas de pinças, olhos rasgados e cor de pimenta fraca. A cor dos olhos é a poça funda onde tropecei.
Na hora que eu a ví, ela não me olhava, estava distraída escolhendo uma porção de papeis de alta gramatura. Ao virar, sentí seu olhar nas minhas costas, mas aí eu ja estava tomando meu rumo.
• Eu era o caminho, ela a viagem, sobre a cama de casal que eu permanecí. "Entra no meu castelo no alto da serra. Vamos esperar as pedras se desfazerem... em 1000 anos vai ser uma beira mar, juro!"
Na hora que eu a ví, ela não me olhava, estava distraída escolhendo uma porção de papeis de alta gramatura. Ao virar, sentí seu olhar nas minhas costas, mas aí eu ja estava tomando meu rumo.
• Eu era o caminho, ela a viagem, sobre a cama de casal que eu permanecí. "Entra no meu castelo no alto da serra. Vamos esperar as pedras se desfazerem... em 1000 anos vai ser uma beira mar, juro!"
terça-feira, 11 de setembro de 2012
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
E começou tudo branco, pra rimar com branco, foi brando também.
Quando a luz acendeu, deu pra ver o buraco..
Profundo, metafórico, cheio de pequenas indicações de que eu iria me foder.
Uma criança chorou, ouvi um gato miar, o monte de folhas que estavam cuidadosamente empilhadas fez um barulho bonito ao desmontar no chão... Por dentro, desmontada mais que o monte de folhas, estava eu, que nunca aprendí a desenhar.
O auto-controle ainda é um mistério pra quem tem leão em áries.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
quarta-feira, 16 de março de 2011
Oscila Tarsila, com a mão no calcanhar.
As pessoas não enxergam, têm olhos de peixes, cinzentos e fora do mar.
A Tarsila, menina, menina ainda, pensa enrolada, toda confusa com a trilha sonora de violoncellos e violinos desafinados que a perturba, porque só ela os vê e escuta.
Chega em casa, faz um café com a própria menstruação e dá às plantas. Pega um punhado de penas e sai voando por aí.
Se virem Tarsila, digam-na que sinto sua falta. Por favor.
As pessoas não enxergam, têm olhos de peixes, cinzentos e fora do mar.
A Tarsila, menina, menina ainda, pensa enrolada, toda confusa com a trilha sonora de violoncellos e violinos desafinados que a perturba, porque só ela os vê e escuta.
Chega em casa, faz um café com a própria menstruação e dá às plantas. Pega um punhado de penas e sai voando por aí.
Se virem Tarsila, digam-na que sinto sua falta. Por favor.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
avó
eu tinha uma nona de coração branco. ela falava retas, movimentos retos.
fazia o silêncio de um ventilador novo, cheia de movimento dentro.
acabava de sair do forno os porta-jóias gratinados, untados com pó, que nona assoprava pq dizia que estavam quentes.
eram caros.
ela tentava comer as jóias, porém os "quitutes" tinha passado do ponto mais uma vez, "muuuuuuuuuito duros!! muuuuuuuuuito duros!!! meu Deus, será que eu não tenho mais mão pra essas coisas....?!", minha tia me olhava como se pedisse para eu ignorar tamanha pafurdisse, mas com certeza, se vovó resolvesse comê-los, minha tia vasculharia a bosta.
fazia o silêncio de um ventilador novo, cheia de movimento dentro.
acabava de sair do forno os porta-jóias gratinados, untados com pó, que nona assoprava pq dizia que estavam quentes.
eram caros.
ela tentava comer as jóias, porém os "quitutes" tinha passado do ponto mais uma vez, "muuuuuuuuuito duros!! muuuuuuuuuito duros!!! meu Deus, será que eu não tenho mais mão pra essas coisas....?!", minha tia me olhava como se pedisse para eu ignorar tamanha pafurdisse, mas com certeza, se vovó resolvesse comê-los, minha tia vasculharia a bosta.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
sorrindo
sábado, 25 de setembro de 2010
quarta-feira, 16 de junho de 2010
ela tinha os olhos doces.
lembrei voltando pra casa, no ônibus.
ela tinha os olhos doces e dava vontade de lamber pra ver o gosto.
eu tinha a certeza absoluta que eram doces e que eu nunca iria lambe-los pra saber o sabor.
hoje olhei no espelho e vi o gosto dos olhos dela me olhando. não era nem os olhos nem nada parecido... era gosto mesmo. como aquela doçura havia me marcado, dentro, na forma gelatinosa de olhar pra câmera no momento da descoberta da própria beleza. que momento!
só de imaginar, eu ví.
saudade, camila querida.
lembrei voltando pra casa, no ônibus.
ela tinha os olhos doces e dava vontade de lamber pra ver o gosto.
eu tinha a certeza absoluta que eram doces e que eu nunca iria lambe-los pra saber o sabor.
hoje olhei no espelho e vi o gosto dos olhos dela me olhando. não era nem os olhos nem nada parecido... era gosto mesmo. como aquela doçura havia me marcado, dentro, na forma gelatinosa de olhar pra câmera no momento da descoberta da própria beleza. que momento!
só de imaginar, eu ví.
saudade, camila querida.
terça-feira, 8 de junho de 2010
meta-fora.
sou uma senhoura, me respeite.
respeite meu boquete milenar, meus cabelos brancos, meus peitos ácidos, ou flácidos - como preferir.
ah sim sim, ácido é o humor, certo? sempre me confundo com as meta-fora!s
falando nelas, estarei me meta-fora-izando logo menos, logo no menos que o tempo me dá! entre uma linha ou outra da cara, os traços da minha mãe vão se juntando aos meus. como na mão. e na vida.
manhêê, me dá carinho? me dá colinho? me dá dinheiro. carro. futuro. manhê, me dá um filho? mas eu quero-quero-quero-querooooooooooo! me-da-me-da-me-daaaa!
...
manhê, sou uma senhoura, me respeite. não peço muito, só peço respeito pra recomeçar a vida, peço só um começo novo... será que ainda caibo aí dentro, manhê? será que cabe alguém aqui dentro, manhê? deixa eu entrar de novo, antes de sair? só por um tempinho...
respeite meu boquete milenar, meus cabelos brancos, meus peitos ácidos, ou flácidos - como preferir.
ah sim sim, ácido é o humor, certo? sempre me confundo com as meta-fora!s
falando nelas, estarei me meta-fora-izando logo menos, logo no menos que o tempo me dá! entre uma linha ou outra da cara, os traços da minha mãe vão se juntando aos meus. como na mão. e na vida.
manhêê, me dá carinho? me dá colinho? me dá dinheiro. carro. futuro. manhê, me dá um filho? mas eu quero-quero-quero-querooooooooooo! me-da-me-da-me-daaaa!
...
manhê, sou uma senhoura, me respeite. não peço muito, só peço respeito pra recomeçar a vida, peço só um começo novo... será que ainda caibo aí dentro, manhê? será que cabe alguém aqui dentro, manhê? deixa eu entrar de novo, antes de sair? só por um tempinho...
segunda-feira, 7 de junho de 2010
menos tereza
ah tereza, mulher invasiva, toda roxa, se derramando na minha cama, meu quarto, meu dia, tereza.
acalme-se no seu canto querida, menos tereza, tristeza, por favor.
eu aqui me esforçando pra ser toda amarela, tereza, e você me ensopando de roxo, fazendo-me marrom, e isso quando não viro sua sombra, violeta, violenta, maníaca, absurda.
com tereza fico surda, quieta, e ela fica só me esganando de roxo, me vestindo da cor da parede, cochichando, cochilando não!
tereza cochicha por gestos, não fala, mas consegue estar presente em todas as palavras.
ela esta junto à mãe que apanha e chora no banheiro, esta nos gêmeos que brincando de mocinho-bandido se matam sem querer com arma-de-gaveta. tereza esta na urgência do sexo no mundo, na urgência do amor. tereza não teve paixões, mas tereza, me deixe ter, poxa!
sou capaz de me matar, mas não quero morrer, tereza, então me deixe em paz. isso é crime, sabia? e capaz que eu te peça desculpas por estar morrendo, só por te tirar o emprego.
tereza escreveu um dia na janela do vidro de um carro: "amor é uma coincidência de carências", malvada.
menos tereza, tristeza, por favor.
acalme-se no seu canto querida, menos tereza, tristeza, por favor.
eu aqui me esforçando pra ser toda amarela, tereza, e você me ensopando de roxo, fazendo-me marrom, e isso quando não viro sua sombra, violeta, violenta, maníaca, absurda.
com tereza fico surda, quieta, e ela fica só me esganando de roxo, me vestindo da cor da parede, cochichando, cochilando não!
tereza cochicha por gestos, não fala, mas consegue estar presente em todas as palavras.
ela esta junto à mãe que apanha e chora no banheiro, esta nos gêmeos que brincando de mocinho-bandido se matam sem querer com arma-de-gaveta. tereza esta na urgência do sexo no mundo, na urgência do amor. tereza não teve paixões, mas tereza, me deixe ter, poxa!
sou capaz de me matar, mas não quero morrer, tereza, então me deixe em paz. isso é crime, sabia? e capaz que eu te peça desculpas por estar morrendo, só por te tirar o emprego.
tereza escreveu um dia na janela do vidro de um carro: "amor é uma coincidência de carências", malvada.
menos tereza, tristeza, por favor.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
sou
eu sou um pássaro de papel, sou uma pipa, uma pia de lavabo, uma lona solta no varal, um pouco de vento num potinho de vidro. o peixe que te olha do aquário sou eu. sou a tecla ja apagada do teclado, o mal contato da tomada, o elástico solto da calcinha, a barsa encostada no sebo, sou as ultimas paginas do caderno de matemática do segundo colegial. o toco de vela. a boneca de barro da maria bonita. o restinho de café na xícara. o pé a mão e o coração do homem vestido de plástico.
domingo, 25 de abril de 2010
sexta-feira, 5 de março de 2010
piano
um exército de Osascos corria dentro de mim, enquanto eu passava aquela pasta de pêsames na torrada caseira e mal feita que ele me oferecia.
os móveis a nossa volta pareciam nos observar por tamanha tensão que se criava, um deles veio saber se quereríamos mais alguma coisa, pois a cozinha ia fechar. dissemos que não.
eu sentia falta dele, não conseguia matá-lo dentro. não encontrar os defeitos dele nos outros era fácil, difícil era encontrar aquelas qualidades.
havia um copo de veneno em cima do piano. eu o tomei antes de sair.
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